Você é Brisa ou Ventania?

Certa vez, um dos chefes mais brilhantes e queridos que tive,  presenteou cada colaborador da equipe com  adesivos de parede contendo frases diversas.

Cada um recebeu uma frase. A minha era da escritora Clarice Lispector (amo!):

“Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania”.

Imediatamente pensei:  Esta frase me representa! Que vontade de ter conhecido a Clarice!

A frase ganhou uma nova dimensão para mim depois que a coloquei na parede. Cada vez que passava por ela, era automaticamente convidada a lê-la novamente e uma nova reflexão surgia.

Eu pensava nas situações onde eu me apresentava como uma brisa, mostrando meu lado mais leve e suave. Também me lembrava dos momentos onde precisei ser forte como uma ventania para vencer os desafios.

A vida foi me mostrando que é preciso saber entrar e sair de cada um destes papéis, conforme muda o tempo, o clima organizacional ou o estado de humor de quem está convivendo com a gente.

Comecei a observar as pessoas que conviviam comigo e verificar quando elas estavam “brisa” e quando elas estavam “ventania”.

Foi curioso constatar que algumas pessoas ficam na maior parte do tempo como ventania, estressadas, desconectadas de si, distanciadas das coisas boas da vida, desperdiçando a oportunidade de trabalharem de uma forma colaborativa e terem uma convivência mais harmoniosa com as pessoas que estão ao redor.

Já as pessoas que se apresentam só como brisa, podem demonstrar certa apatia ou dificuldade para entrar no ritmo necessário para fazer as coisas acontecerem.

Percebi então que não funciona bem a gente adotar um jeito só de agir.  Se você adota uma postura só brisa, podem passar por cima de você, sem dó nem piedade. Por outro lado, se você é só ventania, pode se autodestruir ou destruir todos que estão ao seu redor.

Assim como na natureza tudo está em constante movimento, na vida da gente também não há nada estático. Quanto mais rápido a gente aprende isso e se coloca em sintonia com este movimento, menos cabeçada a gente dá e mais rápido a gente avança.

Quem diria que um adesivo iria estimular tantas reflexões, tantas fichas caindo. Depois de anos, a parede teve que ser pintada. Não houve maneira de aproveitá-lo.  Ele será substituído por outro que pode ter até ter a mesma frase, mas certamente terá uma nova história!

 

Texto de Patricia Peres Monteiro –  Especialista em Reprogramação Humana, Coach, Terapeuta, Facilitadora e Fundadora da Transcende

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